quinta-feira, 28 de abril de 2011

Colaborações

VITOR DRUMOND
Fazer um blog sobre animação brasileira não é a coisa mais fácil do mundo. 

Talvez por ainda ser um campo em crescimento, em franca ascensão, mas longe de atingir a maturidade, as informações não são abundantes. 

Por isso, ajudas são mais do que bem-vindas para este blog.

Daí, criamos um canal de contato, no nosso bom e velho GMail.

Então, se você tiver uma animação própria no Vimeo, YouTube e afins; ou encontrou alguma que acha válido espalhar e divulgar, ou souber informações, notícias e projetos bacanas e quiser mandar para gente, o endereço é esse: 


animacaobrasileira@gmail.com 


Ah! Se identifiquem, por favor!

Enfim. Uma pequena colaboração para fortalecer o conteúdo deste blog.

Animação, publicidade e HIV/Aids une Brasil, França e Estados Unidos

VITOR DRUMOND
A AIDES  é uma organização francesa com o objetivo de dar suporte e voz aos soropositivos e todas as pessoas afetadas de alguma forma pela AIDS, além da infecção. Como fazem isso? Trabalham com apoio, informação, cobrança de autoridades e mobilização de voluntários.

Para passar sua mensagem, a AIDES procurou o know-how da agência de publicidade Goodby Silverstein & Partners. Criaram o conceito "Você nunca sabe por onde ele andou. Por isso, se projeta".

E o que tudo isso tem a ver com a tema deste blog?

Simples. A Seagulls Fly, estúdio carioca de animação, ilustração, concept art, manipulação de imagens, web e afins, foi a produtora responsável pela animação que faz parte da campanha da AIDES.  

Neste link, a equipe que trabalhou no projeto. O resultado ficou bem bacana. Confere aí:



Tarsilinha, novo longa dos criadores de Peixonauta

VITOR DRUMOND



A TV Pinguim já é maior de idade. A produtora de entretenimento infantil completa (ou completou, não sei o dia exato de sua fundação) 22 anos neste ano. Coincidentemente (ou não), essa é a época de sua real maturidade, quando ela sobe um novo degrau. Um degrau possível com o sucesso da série animada Peixonauta. O novo desafio atende pelo nome de cinema. São dois projetos de longas na TV Pinguim. Um é do próprio Peixonauta. O outro, inédito e original, se inspira na artista Tarsila do Amaral.

"Tarsilinha" é o título do longa e o nome da protagonista, uma garotinha de sete anos com questões de...uma garotinha de sete anos: maturidade, família e de relações sociais. Nesse confronto com seus medos e incertezas, Tarsilinha recorre à uma onírica viagem recheada por elementos da artisa Tarsila do Amaral. A jornada pelo mundo de cores, elementos gráficos e personagens da artista representa o rito de passagem da infância para a pré-adolescência de Tarsilinha.O que esperar de suas viagens? Baseando nas obras de Tarsila, a artista, uma identidade nacional.

O roteiro de "Tarsilinha" foi escrito por Fernando Salem, que já participou de várias séries infantis como Vila Sésamo e Cocoricó. A direção é de Célia Catunda e Kiko Mistrorigo, criadores e diretores da TV Pinguim.

Segundo a declaração de Mistrorigo para a revista Tela Viva, "Tarsilinha" será em 3D. Por dois motivos. Um é a questão mercadológica. Existe, agora, um negócio, uma distribuição relacionado aos projetos audiovisuais 3D. O outro é uma questão da narrativa. Para Mistrorigo as obras de Tarsila do Amaral são naturalmente tridimensionais e a tecnologia foi uma solução pensada desde o início.

A última previsão de lançamento é 2012. O projeto está em andamento desde 2008 e a vitória em três editais ajudaram na produção.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Animação brasileira e mercado: qual é o cenário?

VITOR DRUMOND
As discussões sobre a animação como um lucrativo negócio estão em alta como nunca. Hoje, no jornal "Valor Econômico", foi publicada uma grande reportagem sobre o tema. Intitulada "Produzir desenho animado no Brasil não é mais aventura" (acesso para assinantes), a matéria, escrita por Moacir Drska, discorre sobre iniciativas que fortaleceram e ainda fortalecem o mercado.



Uma das razões do mercado "quente", segundo a matéria, é a bem-sucedida trajetória de apostas animadas na TV por assinatura. O pioneirismo de Peixonauta, da TV Pinguim; Princesas do Mar, da Flamma Films; Escola para Cachorro, da Mixer; e Meu Amigãozão, da 2D Lab; e dos canais pagos onde são exibidos, Discovery Kids e Nickelodeon, provou a capacidade nacional de produzir séries animadas de qualidade e competitivas em termos de audiência. Tão competitivos que alguns deles já migraram para a TV aberta. Na semana passada, o SBT anunciou a aquisição dos direitos de exibição de Peixonauta. A Globo irá exibir a série de animação do Sítio do Picapau Amarelo, produzido pela Mixer.

Mas esse sucesso não poderia ser um fenômeno isolado. Era preciso incentivá-lo e fortalecê-lo. Daí nasceram uma série de iniciativas. Uma delas, já de conhecimento de muita gente, são os mecanismos do governo para o incentivo à animação. O AnimaTV é um. No último ano, destinou quase 4 milhões para a produção de 17 pilotos de série animada. Duas, Tromba-Trem, da Copa Studio, e Carrapatos e Catapultas, da Zoom Elefante, tiveram suas temporadas completas produzidas (aqui , os dias e horários que serão exibidos na TV Brasil e na TV Cultura). 



Outro mecanismo aparece com o Banco Nacional de Desenvolvimento, o BNDES. A segunda temporada de "Escola para Cachorros" teve 3,5 milhões de seu orçamento oriundos do banco, através do Procult, Programa BNDES para Desenvolvimento da Economia da Cultura. Segundo Drska, 15 projetos receberam 8,2 milhões do banco.

 No caso de "Escola para Cachorro",o fato da Mixer ter uma parceria de co-produção com a canadense Cité-Amerique foi visto pelo BNDES como uma segurança do potencial de vendas no mercado externo. O que nos leva à outra iniciativa listada na matéria do Valor: as parcerias fora do país. O alto custo das animações é uma das razões para a procura de co-produções internacionais. Segundo a declaração do diretor da Mixer ao Valor, é um sistema adotado em vários países, exceto aqueles onde o mercado de animação já é forte (leia-se Estados Unidos e Japão).



No caso de parcerias existem duas opções: uma é a prestação de serviços e o outro é o investimento de propriedade intelectual. O segundo caso se torna mais interessante devido ao possível ganho com outros produtos relacionados à animação. A TV Pinguim já tem uma série de produtos licenciados, adaptações para internet, livros, cinema, tablets, celulares, teatro. Também é o caso da Mixer e da Flamma Films e seus projetos. Nem preciso comentar o capital gerado pela animação da Turma da Mônica e seus outros produtos licenciados. Segundo o Valor, o licenciamento é a fonte de renda MAIS ATRATIVA do mercado de animação. Afinal, o poder de transmedia storytelling da animação, ou seja, histórias diferentes, os mesmos personagens, contadas em diversas mídias, resulta em um ciclo de vida maior em relação à outras soluções audiovisuais.

terça-feira, 26 de abril de 2011

O que vem por aí: "Ritos de Passagem", de Chico Liberato

VITOR DRUMOND

Na palestra de lançamento do livro "Dramaturgia em Série de Animação", falou-se sobre um dos atuais desafios da animação nacional: sair dos guetos, ter alcance e importância como produto econômico e cultural.

Por um lado, para alcançar tais metas, seria preciso, teoricamente, a produção de obras com temas mais universais. Por outro, é fato que a animação brasileira não é tão conhecida nem mesmo dentro do país. E, talvez, projetos que falam de nós mesmos podem ajudar na construção de uma identidade nacional de animação.

E, não necessariamente, falar sobre o Brasil seja ignorar temas universais. Brasil Animado 3D é um road movie pelo país, mas se sustenta pela amizade de dois personagens de personalidades extremamente opostas, um dos plots mais tradicionais da narrativa. Assim parece ser em Lutas, animação de Luis Bolognesi, que usa a história do Brasil como o contexto de uma grande saga romântica.

Será o caso de Ritos de Passagem, do cineasta e artista plástico Chico Liberato?

Liberato é um pioneiro da animação na Bahia e seus filmes passam por temas importantes do Nordeste. Em "Ritos de Passagem", pega dois personagens essenciais do imaginário do sertão. Eles acabam de morrer e através dos seus ritos de passagem (nascimento, juventude para a idade adulta, morte e transcendência), fazem uma auto-análise das próprias escolhas.

É o cenário brasileiro para falar de um tema muito universal: quais serão as consequências dos meus atos em vida?

A produção é da Pipa Filmes

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Dramaturgia em série de animação

VITOR DRUMOND
Animação não é só a técnica pura. Uma boa história e soluções técnicas que ajudam a contá-la é vital para um projeto animado.

A bibliografia sobre dramaturgia em animação sempre foi pobre no Brasil. Na última semana ficou um pouco mais rica com o lançamento do livro "Dramaturgia  de Série de Animação", escrito por Ségio Nesteriuk. 

O livro passa pela história da animação no país, técnicas e histórico da narrativa seriada (que é completamente diferente da narrativa para cinema), elementos da animação aplicados à história e alguns estudos de caso.

Não li o livro inteiro. Pela palestra de lançamento, feita pelo próprio Nesteriuk, parece ser uma obra interessante e um importante item para a bibliografia tanto de animadores quanto roteiristas. Sem contar que, no final da obra, há uma excelente lista de livros sobre o tema. 

E mais. No campo da dramaturgia não existem verdades absolutas. Existem formas mais eficazes, mas é tudo muito relativo. O livro, porém, faz parte de um projeto da AnimaTV e Nesteriuk é consultor de dramaturgia do AnimaTV. Quer dizer, provavelmente, é a dramaturgia que o programa do governo que estimula o desenvolvimento do mercado da animação espera. 

"Dramaturgia em Série de Animação" está disponível em Creative Commons. É só clicar aqui embaixo:


Coprights @ 2016, Blogger Templates Designed By Templateism | Distributed By Gooyaabi Templates