sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

As animações do Oscar brasileiro

VITOR DRUMOND
Para exemplificar o poder do Oscar comentado no post anterior, é interessante observar vários países que já tem o seu Oscar local. Na França, o César premia os destaques dos lançamentos cinematográficos. Na Espanha é o Goya. O Golden Horse é o Oscar do cinema chinês. O Bollywood da Índia também tem o seu: o International Indian Films Awards. E por aí vai.

No Brasil, a tentativa de uma Academia de Cinema começou em 2000 com a criação do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro. Porém, apenas em 2003 foi criada uma categoria de curta de animação. Na época, o vitorioso foi "A Lasanha Assassina"


Neste ano, já foram selecionados os semifinalistas da categoria. Destes serão escolhidos cinco. "Tempestade", o curta de César Cabral comentado no post anterior é um deles. Conheça, agora, os outros:

- Balanços e Milkshakes, dirigido por Erick Picco e Fernando Mendes, escrito por Erick Picco. Clique aqui para assistí-lo no Porta Curtas.


- Bonequinha do Papai, dirigido por Luciana Eguti e Paulo Muppet.


- Cattum, dirigido por Paulo Miranda


- Eu Queria Ser um Monstro, dirigido e escrito por Marão. Clique aqui  para assistí-lo no Porta Curtas.



- Imagine uma Menina com Cabelos de Brasil, dirigido e escrito por Alexandre Bersot. Clique aqui para assistí-lo no Porta Curtas.



- Menina da Chuva, dirigido por Rosaria. Clique aqui  para assistí-lo no Porta Curtas.



- Meu Medo, dirigido por Murilo Hauser, escrito por Hauser e Henrique Martins. Clique aqui para assistí-lo no Porta Curtas.



- O Rapto do Peixe-Boi, dirigido e escrito por Cássio Tavernard, Rodrigo Aben-Athar.



- Os Anjos do Meio da Praça, dirigido e escrito por Alê Camargo, Camila Carrossine


- Tempestade, dirigido por César Cabral e escrito por Cabral e Leandro Maciel. Clique aqui  para assistir e saber mais sobre o filme



- War, dirigido por Christian Caselli, escrito por Caselli e Márcio Jr.

"Tempestade": Animação Brasileira em Sundance

VITOR DRUMOND

O Oscar é uma premiação poderosa. É só um projeto que tenha alguma relação com o Brasil ser indicado ao grande prêmio da indústria cinematográfica que, da noite para o dia, seu potencial de sucesso triplica. Afinal, os cadernos de cultura dos jornais não irão perder a chance de colocar o feito na capa. Foi o caso do documentário "Lixo Extraordinário", co-produção Brasil e Inglaterra. Enquanto isso, projetos brasileiros selecionados em festivais menos badalados, não recebem tamanha exposição.

É o caso do curta de animação "Tempestade". Selecionado para o Festival de Sundance, o maior festival de cinema independente, o curta foi dirigido por César Cabral, um colecionador de prêmios. Seu último curta, a ótima mistura de animação e documentário "Dossiê Rê Bordosa", recebeu 70 prêmios no Brasil e no mundo.

"Tempestade" e sua história sobre o marujo solitário em busca de sua amada pode ser assistido no site PortaCurtas. Clique aqui.

E se, por um acaso, você ainda não assistiu à "Dossiê Rê Bordosa", agora não há mais desculpas:

Primeira parte:



Segunda parte:

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Animações Brasileiras no Cinema - O Que Vem Por Aí: Fuga em Ré Menor, de Otto Guerra

VITOR DRUMOND


Em outubro de 2006, estreava nos cinemas brasileiros "Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock´n´Roll". Baseados nos personagens de Angeli, criador de tipos impagáveis como Rê Bordosa, Os Skrotinhos e os próprios Wood e Stock, a animação segue alguns filhos perdidos da cultura hippie do fim dos anos 60 nos dias de hoje. Uma animação para adultos nacional com um destino pouco comum para obras do tipo: multiplexes, cinemas de shopping. Na época, o número de salas não era tão grande se comparado às estréias de outras produções. Mas, certamente, foi um lançamento relevante. O relativo sucesso foi consequência de muitos anos de trabalho. Afinal, Otto Guerra, o diretor de "Wood & Stock", ganha a vida com animação desde o fim dos anos 70 e passou a ser figurinha constante de festivais de cinema nacionais e internacionais desde 1984, quando "O Natal do Burrinho", primeiro curta do então jovem de quase 30 anos, saiu do Festival de Gramado com um Kikito no bolso.

Quase cinco anos se passaram e nenhum filho da produtora de Guerra, a Otto Guerra Desenhos Animados, apareceu na tela grande. Um dos motivos da demora parece ser pelo bem da qualidade . Guerra pretende alcançar com "Fuga em Ré Menor Para Kraunus e Pretskaya", seu próximo longa, um nível, como o próprio diz, "altíssimo".

Guerra falou um pouco sobre o projeto à  + Soma , revista sobre a cena independente da arte e da música. Em uma entrevista publicada em abril de 2010, Guerra disse que resolveu ignorar os prazos para fazer uma grande animação. Confirma que seu filme dá um banho nos anteriores e, na época, dizia que ainda faltava um ano e meio para finalizar a produção.

A animação é inspirada no espetáculo "Tangos e Tragédias". É um daqueles incríveis sucessos regionais que ultrapassam seus limites geográficos. Estreou em 1984 em Porto Alegre, onde continua sendo encenado anualmente em janeiro. Passou por boa parte do Brasil e em países de língua espanhola. Mais especificamente, a animação é inspirada em Sbórnia, o país fictício criado para a peça (conheça mais sobre ele aqui ). Sbórnia é uma ilha isolada que vaga livremente pelos mares do mundo, ora faz fronteira com um país, ora com outro, ora com nenhum. Na animação, Sbórnia deixa de ser um local isolado e o país passa a receber as influências da modernidade.

Abaixo um video de "Fuga em Ré Menor". .Para conhecer os trabalhos de Otto Guerra, clique aqui . E aqui  para acessar o site oficial da animação.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Brasil Animado 3D

VITOR DRUMOND
Existe ainda grande influência da narrativa televisiva no cinema brasileiro. Não é a minha intenção generalizar. Ao contrário de alguns, vejo no cinema nacional uma produção variada e em um crescimento saudável. Mas, é fato, a TV ainda tem seus reflexos na nossa produção cinematográfica, principalmente nos filmes considerados mais populares que, na minha opinião, ainda não conseguiram se encontrar, apesar de algumas experiências bem-sucedidas. Tal afirmação pode ser provada com a iniciativa da Globo de dividir longas que produziu e transformá-los em microsséries, caso de "Chico Xavier" e "O Bem Amado". Talvez, se a televisão tivesse sido o destino de "Brasil Animado 3D", teríamos um projeto vitorioso. Não foi o caso. No cinema, a animação de Mariana Caltabiano não funciona muito bem.

Os protagonistas são Relax e Stress, dois cachorros falantes e de personalidades extremamente opostas. Nem é preciso citar as características de cada um. As escolhas de seus nomes dizem tudo. Juntos, vão em busca da árvore mais antiga do país. Ao invés de dar preferência à "caça ao tesouro" e às personalidades conflitantes dos personagens, Caltabiano preferiu investir em uma espécie de guia turístico bem humorado do nosso país. Por isso, as situações se repetem. Relax e Stress vão para locais diferentes e, em cada um deles, apresentam curiosidades da história e cultura do lugar. É, portanto, um filme episódico que depois de algum tempo cansa. Por ser episódico, a ideia de "Brasil Animado 3D" ser realmente dividido em episódios de poucos minutos parece uma solução mais interessante para a produção.

Principalmente porque o personagem Stress é um grande achado. Com sua charmosa rabugice, seus preconceitos inofensivos e sua ignorância em relação ao próprio país, Stress poderia carregar nas costas vários capítulos de um desenho animado televisivo. O personagem rouba a cena e seu dublador Eduardo Jardim faz um trabalho sensacional (Jardim também dubla Relax e não decepciona).

Brasil Animado 3D tenta atrair adultos com algumas referências a Star Wars, Ghost e outros filmes, mas funcionam menos do que deveriam. Afinal, de nada adianta citações espertas para mais velhos se o conjunto total da obra não consegue atraí-los. Não existe uma história consistente que segure o filme. A busca da árvore mais antiga do mundo serve como uma desculpa para uma aula de geografia para crianças.

Pois o filme é visivelmente para crianças menores. Resta saber se foi a intenção da diretora ou não. Se foi, talvez eu, no alto dos meus 25 anos, não seja o mais indicado para comentá-lo. Mas fui ao cinema com meu primo, de nove anos. Definiu o filme com um "legal" que me pareceu menos animado do que os outros "legal" proferidos por ele após outras sessões de cinema. Logo, ele emendou: "mas eu prefiro Gui & Estopa". Trata-se de uma animação de poucos minutos que o Cartoon Network exibe todos os domingos às 09:30. Talvez, teria sido este o destino ideal para Brasil Animado 3D.

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