terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Brasil Animado 3D

VITOR DRUMOND
Existe ainda grande influência da narrativa televisiva no cinema brasileiro. Não é a minha intenção generalizar. Ao contrário de alguns, vejo no cinema nacional uma produção variada e em um crescimento saudável. Mas, é fato, a TV ainda tem seus reflexos na nossa produção cinematográfica, principalmente nos filmes considerados mais populares que, na minha opinião, ainda não conseguiram se encontrar, apesar de algumas experiências bem-sucedidas. Tal afirmação pode ser provada com a iniciativa da Globo de dividir longas que produziu e transformá-los em microsséries, caso de "Chico Xavier" e "O Bem Amado". Talvez, se a televisão tivesse sido o destino de "Brasil Animado 3D", teríamos um projeto vitorioso. Não foi o caso. No cinema, a animação de Mariana Caltabiano não funciona muito bem.

Os protagonistas são Relax e Stress, dois cachorros falantes e de personalidades extremamente opostas. Nem é preciso citar as características de cada um. As escolhas de seus nomes dizem tudo. Juntos, vão em busca da árvore mais antiga do país. Ao invés de dar preferência à "caça ao tesouro" e às personalidades conflitantes dos personagens, Caltabiano preferiu investir em uma espécie de guia turístico bem humorado do nosso país. Por isso, as situações se repetem. Relax e Stress vão para locais diferentes e, em cada um deles, apresentam curiosidades da história e cultura do lugar. É, portanto, um filme episódico que depois de algum tempo cansa. Por ser episódico, a ideia de "Brasil Animado 3D" ser realmente dividido em episódios de poucos minutos parece uma solução mais interessante para a produção.

Principalmente porque o personagem Stress é um grande achado. Com sua charmosa rabugice, seus preconceitos inofensivos e sua ignorância em relação ao próprio país, Stress poderia carregar nas costas vários capítulos de um desenho animado televisivo. O personagem rouba a cena e seu dublador Eduardo Jardim faz um trabalho sensacional (Jardim também dubla Relax e não decepciona).

Brasil Animado 3D tenta atrair adultos com algumas referências a Star Wars, Ghost e outros filmes, mas funcionam menos do que deveriam. Afinal, de nada adianta citações espertas para mais velhos se o conjunto total da obra não consegue atraí-los. Não existe uma história consistente que segure o filme. A busca da árvore mais antiga do mundo serve como uma desculpa para uma aula de geografia para crianças.

Pois o filme é visivelmente para crianças menores. Resta saber se foi a intenção da diretora ou não. Se foi, talvez eu, no alto dos meus 25 anos, não seja o mais indicado para comentá-lo. Mas fui ao cinema com meu primo, de nove anos. Definiu o filme com um "legal" que me pareceu menos animado do que os outros "legal" proferidos por ele após outras sessões de cinema. Logo, ele emendou: "mas eu prefiro Gui & Estopa". Trata-se de uma animação de poucos minutos que o Cartoon Network exibe todos os domingos às 09:30. Talvez, teria sido este o destino ideal para Brasil Animado 3D.

VITOR DRUMOND / Author & Editor

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